ESPECIAL IMPEACHMENT: Game Over

O Senado da República - por 55 votos a 22 - decretou a admissibilidade do processo de impeachment, com o afastamento imediato de Dilma Rousseff, da Presidência da República. A votação foi bastante expressiva, já que para esta etapa do processo, bastaria apenas uma maioria simples de 41 votos (metade mais um dos 81 senadores), demonstrando que os parlamentares da câmara alta do país, já poderiam oferecer uma votação qualificada, onde são exigidos 2/3 dos votos (54 senadores), para o afastamento em definitivo da presidente, diante da comissão processante que será instalada.

Obviamente estamos falando de política, onde as coisas podem mudar com relativa facilidade. Mas é importante lembrar que tanto a votação na Câmara dos Deputados, como no Senado Federal, se deram com a presidente em pleno exercício do poder, promovendo forte articulação junto aos parlamentares, com o peso da caneta e do Diário Oficial da União. Agora o prazo de até seis meses em que o impeachment precisa ser julgado pelos senadores, sob o comando do presidente do Supremo Tribunal Federal, ela estará afastada de suas funções, sem poder nomear e liberar recursos e tendo a sua imagem, sua influência e sua capacidade de exercer poder, posta à sombra do presidente que assume.

Esta troca de cadeiras no principal e mais cobiçado posto do país, deve desencadear uma onda de demissões/exonerações e nomeações que vão dar a cara da nova administração proposta pelo presidente Michel Temer. Todos os ministros nomeados por Dilma já foram exonerados por ela mesma. Com a nova posse de Temer, assume imediatamente seu staff ministerial. A partir daí, todas as atenções da cobertura política do país, se votam sobre como o novo governo vai enfrentar a situação de ampla crise política e de intensa recessão econômica, em que o Brasil se encontra. E todo noticiário que caberá a Dilma, será de sua inserção como ré junto a comissão processante do impeachment, que segue no Senado.

Voltar a ocupar o Palácio do Planalto é, como posso dizer, “matematicamente” possível. Porém, pouco provável. Principalmente diante de tantas derrotas sofridas na Câmara, no Senado e no Supremo Tribunal Federal. Sua única alternativa é que nos próximos meses o governo do vice que assume, não consiga imprimir na sociedade, no meio empresarial e nos mercados financeiros, as condições necessárias para promver as mudanças.

Para isso, Michel Temer deve utilizar uma ferramenta que ele conhece bem e sua antecessora muito desprezou nas duas gestões: uma ampla articulação com o Congresso Nacional. Deputado federal constituinte, já presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes e conhece, como poucos, as engrenagens do poder. Tanto que no primeiro ano do segundo mandato do governo Dilma, foi escolhido por ela para fazer a interlocução com os parlamentares, diante do período das “pautas-bombas” postas para votação pelo colega de partido, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha.

Além da forte articulação política, Temer conta a seu favor com o comando do partido que emprestou a governabilidade a diversos presidentes. O PMDB sempre teve influência e destaque nas gestões desde Itamar Franco, que também foi alçado à presidência do país, após o impeachment do então presidente Fernando Collor. Depois de 24 anos, o partido volta a assumir o papel principal. Curiosamente Michel Temer, Itamar e Sarney assumiram a presidência do Brasil pelo PMDB, sem ser como cabeça de chapa para presidente em suas eleições.

Da mesma forma como Itamar, Temer sabe que não pode nem errar ou mesmo tergiversar. Sua principal missão é não deixar saudade ou arrependimento no debate social, com relação ao afastamento de Dilma Rousseff. Isso passa pelo reaquecimento da economia e do combate ao desemprego, bem como da votação de matérias importantes no Congresso Nacional, que permitam pavimentar estes caminhos.

Assim, o retorno dela dependerá muito mais do desempenho dele como presidente, do que uma eficaz defesa feita em favor de Dilma, na comissão processante no Senado da República. O impeachment é sempre um julgamento político, com um rito jurídico. Dessa forma, os senadores vão passar a julgar a questão muito mais pela balança comparativa se era melhor com Dilma, do que atualmente com Temer. Somente esta questão pode mudar a balança dos votos, contabilizados nas primeiras horas deste dia 12 de maio de 2016.